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domingo, 7 de novembro de 2010

Origem e evolução do Forró


Origem e evolução do forró

O forró é um ritmo alucinante que faz parte do gênero típico dos festejos juninos, hoje difundido no país inteiro independente de época, onde duas pessoas dançam agarradinhas e deixam – se embalar pelo ritmo empolgante que só ele proporciona.
Tem suas raízes no nordeste, não se sabe ao certo como, onde e quando ele apareceu. É certo que ele chegou em São Paulo e aos estados do sul através de Luiz Gonzaga por volta dos anos 40 e através de migrantes nordestinos que procuravam trabalho na capital e para se divertir, ensinavam suas músicas ao povo paulista.
Há quem diga que a palavra “forró” deriva - se da expressão “For All” (Para Todos) a qual vinha escrita, em placas, nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses em Pernambuco no início do século na época das construções das ferrovias e significava que todos podiam participar da festa envolvida por ritmos parecidos hoje em dia com o forró.
Outros historiadores acreditam que a palavra “forró” se origina dos bailes aos quais o povo costumava chamar de “Forrobodó” e, com o tempo, devido a facilidade de pronúncia, acabou sendo chamado simplesmente de “forró”. Independente da origem, é certo que ele existe para a nossa felicidade.
O forró tradicional é constituído pelo sanfoneiro, pandeirista e o tocador de zabumba e triângulo junto com acompanhamentos musicais de sanfona, triângulo e agogô. Antes, preso somente ao nordeste e aos festejos juninos, se ouvia falar muito de devastação, solo rachado, gado magro, seca no nordeste, sofrimento e lamentação.
O forró mais moderno já é constituído por baterista, guitarrista, baixista e outros equipamentos eletrônicos, trazendo um novo estilo de dança mais alegre, sensual e carismática para todas as idades e classes sociais disputando o mercado com outros ritmos mais famosos.
Seja qual for o estilo ou conteúdo das músicas, ele continua conquistando cada vez mais pessoas com o forró que se caracteriza desde o “Forró Pé de Serra” em MG e na região mais a sudeste, passando pelo forró de Fortaleza, Aracaju... até chegar ao tradicional (“dois pra lá e dois pra cá”).
Nas épocas juninas, pessoas costumam se deslocar para cidades pequenas onde acreditam encontrar um clima mais aconchegante de interior. Até mesmo para sair da rotina da cidade grande, sem contar com a possibilidade de conhecer pessoas novas de outras cidades e regiões compartilhando de uma dança que envolve contato corporal e por que não dizer mental e espiritual? No embalo dessa música pode levar qualquer um ao paraíso...
(Marcos Bastos)

sábado, 2 de outubro de 2010

Forró - Festa Popular Brasileira

Forró é uma festa popular brasileira, de origem nordestina e é a dança praticada nessas festas, conhecida também por arrasta-pé, bate-chinela, fobó, forrobodó. No forró, vários ritmos musicais daquela região, como baião, a quadrilha, o xaxado, que tem influências holandesas e o xote, que veio de Portugal, são tocados, tradicionalmente, por trios, compostos de um sanfoneiro (tocador de acordeon—que no forró é tradicionalmente asanfona de oito baixos), um zabumbeiro e um tocador de triângulo.

O forró possui semelhanças com o toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários portugueses e holandeses, porque são ritmos de origem européia a Chula, denominada pelos nordestinos de simplesmente "Forró", xote("Xotis"), o termo correto, e variedades de Polkas européias que são chamadas pelos nordestinos de arrasta-pé e ou quadrilhas. Além do jeito europeu de dançar, essas danças adquiriram também o balançar dos quadris dos africanos. A dança do forró tem influência direta das danças de salão européias, como evidencia nossa história de colonização e invasões européias.

Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Campina Grande, Caruaru, Gravatá, Mossoró, e Juazeiro do Norte, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís eTeresina, onde são promovidas grandes festas.

sábado, 4 de setembro de 2010

História do Forró, origem, gêneros, dança, cantores e bandas de forró, cultura nordestina

dança de forró

O que é

O forró é uma dança popular de origem nordestina. Esta dança é acompanhada de música, que possui o mesmo nome da dança. A música de forró possui temática ligada aos aspectos culturais e cotidianos da região Nordeste do Brasil. A música de forró é acompanhada dos seguintes instrumentos musicais: triângulo, sanfona e zabumba.

História do Forró

De acordo com pesquisadores, o forró surgiu no século XIX. Nesta época, como as pistas de dança eram de barro batido, era necessário molhá-las antes, para que a poeira não levantasse. As pessoas dançavam arrastando os pés para evitar que a poeira subisse.

Origem do nome

A origem do nome forró tem várias versões, porém a mais aceita é a do folclorista e pesquisador da cultura popular Luiz Câmara Cascudo. Segundo ele, a palavra forró deriva da abreviação de forrobodó, que significa arrasta-pé, confusão, farra.

Características

Uma das principais características do forró é o ato de arrastar os pés durante a dança. Esta é realizada por casais, que dançam com os corpos bem colados, transmitindo sensualidade.

Embora seja tipicamente nordestino, o forró espalhou-se pelo Brasil fazendo grande sucesso. Foram os migrantes nordestinos que espalharam o forró, principalmente nas décadas de 1960 e 1970.

Atualmente, existem vários gêneros de forró: forró eletrônico, forró tradicional, forró universitário e o forró pé de serra.

Principais cantores e bandas de forró:

- Alceu Valença
- Banda Calypso
- Beto Barbosa
- Calcinha Preta
- Chico Salles
- Dominguinhos
- Elba Ramalho
- Frank Aguiar
- Genival Lacerda
- Jackson do Pandeiro
- Limão com mel
- Luiz Gonzaga
- Mastruz com leite
- Oswaldinho do Acordeon
- Sivuca
- Zé Ramalho

sábado, 7 de agosto de 2010

Forró, cultura nordestina genuinamente brasileira

Forró, cultura nordestina genuinamente brasileira

O forró, assim como o samba, possui as mesmas raízes, se originando da mistura de influências africanas e européias. O batuque - dança de roda onde os africanos mostravam a sua cultura - foi o tronco principal no que diz respeito à formação da música popular no Brasil. Dele surgiram variações que se espalharam tanto em áreas urbanas quanto rurais, sob vários nomes e estilos próprios conforme a região do país. Duas histórias cercam a origem do nome Forró. A mais difundida é de que os Ingleses, que trabalhavam na construção de uma estrada de ferro no nordeste, promoviam bailes "For All", com a trilha sonora e a dança local - entenda-se baião - e assim o nome foi pegando. A outra versão, mais nacionalista e apegada às raízes, diz que a palavra tem sua origem na língua africana, com o vocábulo Forrobodó, que em um determinado dialeto significa exatamente festa, bagunça. Essa versão, mais "científica" é do pesquisador Câmara Cascudo.


O Forró e suas variações como Música e Dança


Forró é o coletivo da cultura e musicalidade popular do nordestino e pode ser dividido em vários segmentos:

* Forró pé de serra é o som feito pelos precursores do gênero, sempre com o presença do triângulo, sanfona e zabumba.

* Baião: Nascido de uma forma especial de os violeiros tocarem lundus na zona rural do nordeste (onde recebia o nome de baiano e era dançado em roda), esse ritmo foi transformado em gênero musical a partir de meados da década de 40, como resultado do trabalho de estilização feito por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, quando sofreu influências de ritmos como o samba e a conga.

* Xote: Ritmo de origem européia que surgiu dos salões aristocráticos da época da Regência. Conhecido originalmente com o nome schottisch, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais.

* Xaxado: O nome é uma onomatopéia, baseada no som que as alpercatas dos sertanejos faziam ao serem arrastadas durante os passos de dança. É uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.

* Coco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião

* Forró universitário é um movimento cultural, que começou em Itaúnas- ES e se desenvolveu em outras cidades do Sudeste do Brasil, com o pessoal das faculdades. Acrescentou-se à música do Forró Pé-de-serra elementos como o baixo e a guitarra e à dança uniu-se passos de Samba-Rock, Salsa e Zouk.


Gonzagão, o pioneiro

Sem Luiz Gonzaga, o forró não estaria hoje nos bailes de todo o Brasil, como a última moda musical. O Velho Lua nasceu em Exu, sertão pernambucano, em dezembro de 1912. Filho do sanfoneiro Januário, desde pequeno ele tomou familiaridade com o instrumento. Foi no Rio de Janeiro, disposto a tentar carreira de músico no rádio, que se inscreveu no programa de Ary Barroso, em 1941, com a canção Vira e Mexe, com a qual tiraria o primeiro prêmio e seria contratado pela Rádio Nacional. O Forró é a linguagem poética que Gonzagão usava para contar sua vivência dura de sertanejo, as tristezas e doçuras da vida nordestina tão esquecida pelo resto do Brasil. A música nordestina de Luiz Gonzaga sofreu preconceito no início. Porém, o forró foi conquistando o grande público, deixando de ser só uma música para saudoso migrantes nordestinos ou pessoas de classe social inferior. Quase sessenta anos depois, com a nova onda do forró, nada mais justo que ver a música do Velho Lua, morto há nove anos, ser presença obrigatória nas casas noturnas de todo o país. E admirada por tantos adolescentes.

Mas, ao lado de Luiz Gonzaga não podem faltar compositores consagrados no forró como Dominguinhos, Luís Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Almira Castilho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Edmílson do Pífano, os velhos Trios Nordestino e Virgulino e mais atualmente bandas como Falamansa, Rastapé e Forróçacana




sábado, 17 de julho de 2010

Forró no Nordeste


Desde a origem do seu nome, o forró já gera controvérsia: alguns creditam o nome à um anglicismo proveniente da pronúncia do termo "for all”, que em inglês significa “para todos”, e é como eram chamados os bailes promovidos aos engenheiros ingleses e aos soldados americanos nos fins de semana, no início do século, e que tinham entrada liberada for all , principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, RioGrande do Norte e Alagoas.

Outra versão, mais verossímil, apoiada por historiadores comoCâmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano “forrobodó”, que significa “divertimento pagodeiro”, “festa”, “bagunça”. Era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascinio sobre as pessoas.

O que podemos afirmar é que este ritmo que nasceu no nordeste brasileiro, originado de influências africanas e européias, encanta pessoas de todas as idades e clas
ses sociais, não só no Brasil, mas em todos os lugares do mundo.

No início, o Forró sofreu com o preconceito, por se tratar de um gênero de massas. Com o tempo, foi conquistando o público e saindo das periferias das cidades nordestinas e estabelecendo-se como ritmo predominante também nos bairros nobres das capitais.

São muitas as variações derivadas do forró original. A príncipio, conta-se que nasceu o baião. A falta de registros impede uma cronologia mais acertada, mas acredita-se que tenha sido em meados do século XIX.

Dele surgiram os ritmos distintos entre si: o xote, o xaxado, ococo, o vanerão e as quadrilhas juninas. Hoje em dia, é fácil identificar outras variações, tais como o forró malícia (com suas letras picantes ou com duplo sentido), o lambaforró e ooxentemusic. Estas últimas surgiram com influência daLambada, e incorporaram ao forró um pouco do ritmo e passos da dança. Também elementos como guitarra elétrica, bateria e teclados (no lugar da sanfona) fazem parte destas vertentes mais modernas.

É uma festa originalmente da periferia que tomou conta de todo o Brasil e certamente possui um estilo adequado ao gosto de cada público e região do país. Nomes consagrados como Luiz Gonzaga, Genival Lacerda, Dominguinhos, Chiquinho do Acordeom, Jackson do Pandeiro, e Sivuca convivem em harmonia com os atuais Calcinha Preta, Mastruz com Leite, Frank Aguiar e Falamansa. Cada público encontra o forró que preferir, do baião e pé-de-serra ao oxentemusic.

Todas as idades são bem-vindas a um bom arrastapé! O Forró é um ritmo democrático, basta trazer o fôlego necessário para encarar as maratonas de dança e a animação e o entusiasmo para aproveitar o melhor da festa.

No Rio Grande do Norte, há várias casas de show especializadas em Forró, e também boates que disponibilizam espaço e até dedicam alguns dias da semana ao ritmo. Para encontrar a sua festa preferida, confira nosso canal "Divirta-se" e divirta-se!

sábado, 19 de junho de 2010

Conheça mais sobre o Forró, Dança Típica Nordestina do Brasil.




Dança do Forró Pé de Serra, Pernambuco, Brasil.

Dança do Forró Pé de Serra,
Pernambuco, Brasil.

Duas histórias cercam a origem do nome Forró. A mais difundida é de que os Ingleses, que trabalhavam na construção de uma estrada de ferro no nordeste, promoviam bailes "For All", com a trilha sonora e dança local - entenda-se baião - e assim o nome foi pegando. A outra versão, mais nacionalista e apegada às raízes, diz que a palavra tem sua origem na língua africana, com o vocábulo Forrobodó, que em determinado dialeto significa exatamente festa, bagunça. Essa versão, mais "científica" é o pesquisador Câmara Cascudo.

O Forró e suas variações como Música e Dança.

Forró é o coletivo da cultura e musicalidade popular do nordestino e pode ser dividido em vários segmentos:

  • Forró pé de serra: É o som feito pelos precursores do gênero, sempre com a presença do triângulo, sanfona e zabumba.

  • Baião: Nascido de uma forma especial de os violeiros tocarem lundus na zona rural do nordeste (onde recebia o nome de baiano e era dançado em roda), esse ritmo foi transformado em gênero musical a partir de meados da década de 40, como resultado do trabalho de estilização feito por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, quando sofreu influências de ritmos como o samba e a conga.

  • Xote: Ritmo de origem européia que surgiu dos salões aristocráticos da época da Regência. Conhecido originalmente com o nome schottisch, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais.

  • Xaxado: O nome é uma onomatopéia, baseada no som que as alpercatas dos sertanejos faziam ao serem arrastadas durante os passos de dança. É uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.

  • Coco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião.

BASICAMENTE O FORRÓ


Quando os portugueses chegaram às praias da costa atlântica deste novo continente encontraram, ali, gente pacífica que os recebeu com curiosidade e admiração. Dentre os vários elementos utilizados para o contato inicial estava a música.

Consta nos anais históricos que, nos primeiros encontros com os índios, os marinheiros portugueses tocaram, cantaram e dançaram e conseguiram fazer com que os gentios tambem o fizessem, estabelecendo, assim, uma forma inicial de entendimento e cumplicidade, através da música trazida pelas caravelas e com que se ensaiavam, ali, os primeiros exercícios do que viria a se tornar a música brasileira.

Consta também que, para além da receptividade e encantamento com as flautas e as gaitas, os índios, logo de início, mostraram-se inclinados a “entrar na dança” produzindo, naquelas praias dos primeiros dias da descoberta, os primeiros passos das danças que se tornariam uma das marcas mais eloqüentes do nosso modo brasileiro de se expressar através do corpo. Ainda não haviam chegado os africanos e já se tocava, cantava e dançava, sob o sol e a lua, na nova terra brasileira. Estudiosos desses tempos remotos chegam a historiar sobre o talento todo especial dos indígenas para a música dos brancos, e dos excelentes músicos que alguns dos jovens índios e índias logo se tornaram, à medida que, animados com os resultados daquelas primeiras manifestações espontâneas, os jesuitas incumbidos das tarefas de educar os nativos, se dedicavam, mais e mais, ao ensino de intrumentos como a flauta, a viola e o pandeiro. A inventiva e a capacidade de improviso logo se manifestaram como a primeira grande contribuição do “povo nu” à musica que então se criava.

Alguns desses estudiosos chegam a atribuir a esses primeiros tempos o surgimento da expressão samba (palavra de origem tupi significando roda de dança) que vem a se tornar, em especial no nordeste, a designação genérica para toda festa, todo folguedo, toda reunião lúdica regida pela música.

Com a chegada do povo negro, introduzem-se os batuques e as gingas próprias daquelas gentes africanas (inicialmente bantu e em seguida gêge-nagô) que vêm trazer a contribuição definitiva à criacao da vibrante música e do sensual requebrado, marcas da festa nacional da qual o modo mais emblemático ficaria conhecido como samba.

Ainda me recordo da surpresa de que fui tomado quando, ao percorrer extensa região nordestina de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará em 1972, ao voltar do exílio na Inglaterra, encontrei a expressao samba a designar, justamente, os arrasta-pés e os bailes locais. Ali, não o samba - tal como conhecido na Bahia e no Rio - mas o baião, o xote e o xaxado eram as principais manifestações musicais.

Mesmo constituído por outro tipo de música, o baile nordestino, principalmente mais para os lugares do interior, era até então comumente chamado de samba. Creio que a designação genérica de forró para a festa torna-se predominante, à medida que este termo, de origem urbana, passa a ocupar o imaginário nacional, seguramente apos a disseminação do baião e de toda a sua família musical, iniciada a partir de Luiz Gonzaga, o grande responsável pela divulgacão dos gêneros nordestinos em nível de massa, nos idos de 1950. O surgimento da Feira de S. Cristóvão no Rio de Janeiro e de seus equivalentes em S. Paulo, impulsionam, em meados do século XX, essa nacionalização da festa nordestina que passa a adotar o nome genérico de forró, ele mesmo ja consequência de um fenômeno cosmopolita então recente: o surgimento dos bailes urbanos, especialmente em Recife e Natal, na década de 1940, sob a influência da presença das bases-aéreas americanas, com seus soldados ávidos por diversão e festa. Muito corrente é, hoje em dia, a versao de que a palavra forró seria uma corruptela da expressao for all, denominação dada pelos militares americanos para os bailes abertos ao grande público (for all, para todos) e que se popularizaram em Recife e Natal, durante a Segunda Guerra.

Portugueses, índios, africanos, violas, flautas, sanfonas, pandeiros, batuques, requebrados, luar do sertão, sol da praia, festa do interior, baile da cidade, aridez severina da caatinga, umedecente sensualidade do mar, afeto ibérico, volúpia americana, doce da cana, ardência da pimenta, menino do Rio, mina de Sampa, maculelê do Recôncavo, cateretê de Minas, mulatas de Di Cavalcanti, operários de Portinari, bate-coxa, mela-cueca, esquenta-mulé, o forró vem se fazendo em longa trajetória ao longo da história desses povos brasileiros de tantas origens e tantos destinos. Através dos nordestinos e dos sulinos, dos baiões e das polcas, o forró vem se tornando um espaço de cultivo musical, criação coreográfica e ambiente de convívio para pequenas populações rurais e grandes aglomerados urbanos em que se produzem ricas trocas entre culturas e regiões, dentro do grande caldeirão étnico, político e religioso em que se vem constituindo este híbrido sociocultural chamado Brasil.


A música

Inicialmente marcada pelos elementos da cultura portuguesa da epoca das grandes navegações, em que a presença árabe já deixara marcas indeléveis, a nascente cultura brasileira recebe, aos poucos, os influxos de outras culturas africanas, européias e asiáticas com que vai tomando contato através, principalmente, da intensiva imigração com que o país passa a suprir suas necessidades de mão-de-obra e tecnologias agro-pecuárias, comerciais e pré-industriais essenciais para o seu desenvolvimento. Ao lado das técnicas de pastoreio, agricultura, metalurgia, artezania, comércio e ofícios variados com que os imigrantes enriquecem a vida produtiva brasileira, multiplicam-se também os influxos de novos e variados elementos simbólicos, através, principalmente, das formas artísticas trazidas pelos colonizadores e aqui processadas e transformadas pela nova sociedade que vai se formando.

A música logo se insinua como um campo particularmente propício ao desenvolvimento do talento e da criatividade brasileiros que viriam marcar definitivamente nossas características em tempos modernos. Particularmente alimentada pela intensa e exuberante contribuição africana, a nossa música processa e registra, aos poucos, os elementos mediterrâneos, orientais e por fim, germânicos e anglo-saxônicos com que consolida, em meados do século XX, uma face musical propriamente nossa. Ao lado do samba (ou dos sambas) o baião surge como grande gênero de fusão e difusão do hibridismo musical que nos caracteriza. Em 1946, Luiz Gonzaga grava e populariza o primeiro disco de baião. Nos anos de 1950-60, o gênero (baião, xaxado, xote, pé-de-serra) ja se inscreve como um gênero de aceitação nacional, passando, dai em diante, a dialogar com todo o universo musical brasileiro, do são-joão ao carnaval. De dança da moda dos salões cariocas nos anos 50 até a base do galope do carnaval baiano dos anos 90, a família nordestina do baião se movimenta, ao longo da segunda metade do século XX, como uma verdadeira familia real cuja longa dinastia viria a se estender pelos novos tempos da musica tecno no século XXI.

Hoje, a música do forró engloba, desde os modos clássicos de Marinês e do Trio Nordestino e seus descendentes retrô, ate as formas mutantes da oxente-music de Fortaleza, Campina Grande e Caruaru. Misturada aos elementos lítero-musicais do brega, do sertanejo e do pagode, a musica do forró vai levando adiante a saga antropofágica da nossa cultura popular, assumindo a hibridação como seu traço constituinte elementar.


A dança

Nascida na roda de samba indígena, a dança brasileira vem se fazendo, rural e urbana, ao longo da uma linha de contatos com a dança do mundo, principalmente com aquela que se faz globalmente visível através dos filmes musicais americanos que cruzam as telas do planeta no pós-guerra. Das danças de salão dos aristocratas, da fuzarca coreográfica do charleston e do booggie, do frenético rock’n roll, da ebulição do frevo, do gingado do samba, de tudo isso de que os meios de comunicação modernos vão trazendo, aos nossos olhos e ouvidos, a variada composição; pelo rádio, cinema e televisão, vai-se plasmando a dança brasileira moderna, através de lambadas e browns, de breaks e grafittis, danças de rua e de salão, imprimindo um caráter, a um só tempo cambiante e perseverante, como um padrão estético ondulante para nossas danças de tradição, como a danca do forró, na qual, de um único elemento nunca se abriu mão : o agarradinho, o bate-coxa, o mela-cueca, o esquenta-mulé que a estabelece como dança de contato sexual, de socialização sensualizada, contra-pontuada pelos meneios rodopiantes dos pares soltos pelos salões; um jogo de prende-desprende de alta tensão erótica entre o dançar colado e o plácido deslizar dos corpos soltos.

A dança do forró tem basicamente elaborado sua coreografia inspirada, seja nas melodias mornas das toadas românticas, seja no resfolego soluçante dos xaxados de letras provocantes . Tem sido, das danças brasileiras, a que mais faz dialogar, pelos pares em movimento, os sonhos de aconchego e gozo e os suspiros de carne em êxtase e de espírito em repouso: a danca do forró, em que a mão alcança a cintura de pilão da cabocla mais próxima e o pensamento voa até a cabocla tão distante “esperando na janela”, criando assim um pathos de sensualidade e lirismo que se espalha, como brasa de fogueira, pelo salão afora.


A festa

O ambiente do baile de forró vai desde uma pequena sala de uma casinha sertaneja, onde o fim de semana ou a data de aniversário propicia a reunião de alguns poucos pares para a dança, sob o som da sanfona, do triângulo e do zabumba, até o grande salão feericamente decorado e iluminado, down-town ou no subúrbio de alguma grande metrópole, ao som da banda elétrica e eclética que produz o divertimento dito pasteurizado da mega cultura pop globalizada dos nossos tempos pós-madernos.

O baile de forró acolhe desde um punhado de camponeses e camponesas dos canaviais pernambucanos em seus modestos ambientes ainda rurais ou semi-urbanizados até os milhares de jovens das classes médias mestiças da zona sul carioca ou da periferia paulistana, reunidos, aos milhares, para desfilar as indumentárias e gírias da moda, em situações de alta voltagem erótica e emocional, `a feição dos grandes rituais contemporâneos de tribos e gangues cosmopolitas das grandes metrópoles modernas de qualquer lugar do planeta .

O forró fez a longa viagem da tradição à invenção sem abrir mão das aléias de bandeirolas coloridas esvoaçantes sobre as cabeças dos dançarinos nos bailes de São João das grandes cidades do interior da Paraíba ou da Bahia; sem deixar, pelo caminho, os signos estéticos e culturais de suas matrizes sociais.

O forró traz a marca da estética antropofágica brasileira em sua forma mais alegre e mais feliz, deixando manifestar, em seu organismo, todo um mundo de contaminações, sem que venham a adoecer gravemente as células do seu velho corpo de passado e tradição. Ao contrario: fazendo de todos os venenos do presente pós-moderno, um coquetel de fortificantes para o corpo franzino mas esbelto e ágil da sua diversidade cultural, nossa diversidade cultural.


Rumo ao futuro

Como elemento característico de uma identidade nacional em permanente criar-se e recriar-se, formar-se e reformar-se, integrar-se e entregar-se, a vida cultural brasileira – já nascida sob os tons plurirradiantes de um sol de muitas luzes luso-afro-ameríndias e outros raios – nao habilitou-se a edificar edifícios inabaláveis e indestrutíveis como em outros lugares. A cultura brasileira, ao contrário de culturas antigas que lograram permanecer quase intactas por períodos muito longos, esteve, desde o começo, ao sabor de ventos leves, de brisas suaves que a levaram sempre para mais longe de um ancoradouro idealizado, de um porto seguro almejado. Como se Porto Seguro, o lugar de chegada do descobridor tivesse sido, de imediato, o lugar de saída do descoberto, de volta ao mar inseguro de um encoberto, desconhecido e indecifrável futuro cultural. Como se, logo de início, tivéssemos resultado de um lance poético de dados a nos impossibilitar, de vez, um devir de prosaicas verdades ; logo, de cara, um Monte Pascoal de novas imediatas saídas de volta para o Egito; logo, de cara, um monte de novos significados e nenhuma verdade; logo na chegada, uma volta aos mares orientais de Chinas e Indias pré-filosofais, uma volta a tempos glaciais de uma humanidade plena de passados e futuros eco(i)lógicos integrais. Logo na chegada, a saída para um eterno país do futuro que estaríamos fadados (sambados?) a ser.

Ao oferecer-se, generosamente, como entroncamento de linguagens musicais e de dialetos coreográficos que circulam pela nossa história cultural desde há muito, o forró representa uma das faces mais expressivas dessa “festa nossa de cada dia” que estreou nas praias de Porto Seguro.

Ao lado de outras de nossas matrizes lúdicas como o candomblé e o carnaval, o nosso forró de São João e de todo dia vai seguindo seu caminho, seu tão, eternamente imanente, jamais completamente expresso – o tão do baião a que um dia me referi numa canção – rumo às praias de um futuro aberto, o mesmo céu-aberto, fundo erguido sobre as cabeças de marinheiros e índios, de há pouco mais de cinco séculos, naquela praia inicial do litoral, da Bah